O exame de rastreio pré-natal é realizado no sangue da mãe em gestações de até nove semanas. Trata-se de uma inovação no meio das análises bioquímicas porque rastreia um enorme leque de possíveis patogenias além de apontar, com 99% de eficácia o sexo do bebê.
Trata-se de um exame não invasivo sem nenhuma contra-indicação, a não ser pelo seu alto custo, algo em torno de R$ 2.900,00. Garanto que se o pai fosse eu, certamente me esforçaria para realizar o teste, mas, infelizmente essa não é a realidade da maioria da nossa população. Vale lembrar que em caso de fetos múltiplos o exame não é indicado. De qualquer modo, na apresentação dos detalhes desse exame perceberemos a multi funcionalidade do mesmo e o largo leque de informações alcançadas a partir da análise bioquímica do sangue materno.
PROCEDIMENTOS
O rastreio bioquímico do 1º trimestre realiza-se em dois timings, com colheita de sangue entre a 8ª e a 9ª semana de gestação e execução de ecografia entre a 11ª e a 13ª semana + 6 dias depois da data da última menstruação.
O rastreio combinado associa a medida da Translucência da Nuca, visualizada pela ecografia com os resultados bioquímicos, aumentando a taxa de detecção individual de cada exame de 70%, para uma taxa de detecção conjunta de cerca de 90%. O teste calcula o risco para casos de trissomia 21, 18 e 13, e pode detectar gestações de embriões com outra anomalias, ou dar indicação sobre problemas obstétricos futuros na ausência de anomalia cromossómica.
A análise bioquímica mede duas substâncias presentes no sangue da mãe, a Proteína Plasmática A Associada À Gravidez (PAPP-A) e β-subunidade livre da gonadotrofina coriónica (β-hCG livre). O exame ecográfico, feito por um médico, determina a idade gestacional com exactidão, mede a espessura do espaço subcutâneo situado entre a pele e os tecidos moles que cobrem a nuca do feto – a Translucência da Nuca (T.N.) e verifica a presença de Osso Nasal (O.N.). Esta medida não é habitualmente utilizada no cálculo do risco, pela dificuldade prática da sua medição, necessitando de muita experiência por parte do ecografista. É um teste não invasivo que avalia a anatomia embrionária e através de um softwareespecífico é também calculado um risco de Trissomia 21 e outras malformações.
O screening precoce evita uma carga de stress adicional para os pais e diminui o número de abortos tardios por defeitos cromossómicos, o que acarreta custos emocionais fortes.
O risco de trissomia 21, muito reduzido na mulher jovem, aumenta com a idade, sobretudo, a partir dos 35 anos. Contudo, a maioria das crianças com trissomia 21 nasce de mulheres jovens, porque são estas que têm mais filhos.
O cálculo do risco aumentado de trissomia tem em conta factores como: a idade gestacional e materna, a etnia e o peso da mãe, a presença de diabetes, o consumo de tabaco, e casos de deficiência cromossómica em gravidez anterior. Todos estes factores são tidos em consideração, quando efectuamos o cálculo do risco.
A taxa de detecção de cromossomopatia empregando a idade da mãe + TN + ON + β-hCG livre + PAPP-A é de cerca de 97% (com cerca de 3% falsos-positivos). Sem as medidas ecográficas a taxa ronda os 70%.
VANTAGENS DO TESTE DE RASTREIO:
- Isola o ADN fetal para o estudar, sem interferências do ADN materno
- Funciona a partir da Nona semana de gestação.
- Detecta alterações nos cromossomas 13, 18, 21 (Síndroma de Patau, Edwards, Down) com taxas de detecção de 99% . Concorrência tem taxas para a 13 e 18 de 75-99%
- Detecta monossomias X (Síndroma de Turner) com taxas de detecção de 91,7%
- Dá sempre a determinação do sexo fetal, mediante a deteção do cromossoma Y (TD 99%)
- Identifica triploidias XXX e XXY, o que nenhum dos outros testes faz ainda
- Analisa material genético especificamente fetal e não fetal + materno
- Detecta casos de “vanishing-twins”, evitando erros de resultados ou resultados incompletos (dado que poderiam corresponder parcialmente ao gémeo que não sobreviveu)
- Excelente sensibilidade e especificidade (> 99%) mesmo com pouco cfDNA presente (> 4%). Os testes da concorrência necessitam de > 10% de cfDNA fetal para darem esta taxa de sensibilidade e especificidade, e mais de 20% das grávidas têm < 10% de cfDNA no sangue às 13 semanasA presença de cfDNA aumenta com a massa placentária e está inversamente relacionada com o peso materno, sendo a principal causa de limitação do teste da concorrência nas grávidas obesasDe facto, com uma fracção baixa de cfDNA, diminui a % de detecção com a técnica de contagem. Este método, utilizado pela concorrência por exemplo, caso tenha < 8% de cfDNA apresenta para a T21 uma TD de cerca de 75% , contra os 99% se a fracção de cfDNA for superior a 10%. O Panorama apresenta TD de 99% para valores baixos de cfDNA mesmo abaixo de 8%
- Prevalências dos síndromes estudados:
- S. Down: 1 em cada 660
- S. Edwards: 1 em cada 6.000
- S. Patau: 1 em cada 10.000
- S. Turner: 1 em cada 2.500 meninas (Frequência maior do que a T18 e a T13!!!)
Como funciona?
Durante a gravidez, parte do ADN fetal encontra-se no sangue materno. Este teste realiza-se apartir de uma amostra de sangue materno, no qual se encontra ADN fetal livre com uma alta especificidade e sensibilidade, apartir das 9 semanas de gestação.
Actualmente, utlizam-se dois métodos de análise diferentes, para realizar este teste:
MÉTODO DE CONTAGEM
Sequenciação de regiões não polimórficas
- Sequenciação massiva
- Sequenciação dirigida
ANÁLISE SNPS (POLIMORFISMOS)
Sequenciação dirigida de regiões polimórficas e análise de SNP’s com ferramentas bioinformáticas de última geração
Interpretação de resultados:
ALTO RISCO No caso de um resultado com probabilidade de alto risco, recomenda-se a realização de uma prova de diagnóstico definitivo, em líquido amniótico (cariótipo convencional ou técnica molecular).
BAIXO RISCO Não descarta a 100% a possibilidade de alteração cromossómica fetal, mas os estudos realizados, mostram que exclui a probabilidade destes síndromes numa percentagem muito alta.
Este teste não está indicado nos seguintes casos:
- Idade fetal inferior a 9 semanas no momento da prova
- Ter recebido recentemente uma transfusão sanguínea ou trasplante de medula óssea
- Gravidez múltipla
- Gravidez com óvulo doado
- Consanguinidade dos progenitores
- Alterações ecográficas evidentes: TN muito aumentada, exomphalos, holoprosencefalia, megacistite, hernia diafragmática por exemplo.
O exame de rastreio pode ser uma faca de dois gumes para a maioria dos casais. Imagine a frustração, ou o choque de um casal que acaba de descobrir que seu filho ainda em gestação terá síndrome de down. De que modo essa notícia vai ser recebida e digerida pelos pais e pela família dessa criança. E mais, diante de uma legislação tão restritiva para o aborto como a brasileira, será que abortar tornaria-se uma possibilidade “apreciável”? Todo esse avanço bioquímico de alto custo apenas para saber antecipadamente de algo que será inevitável?
ResponderExcluirO pré natal é extremamente importante numa gestação. Tanto para saber o estado do feto, como para o preparo dos pais em caso de alguma anomalia. Pudemos ver isso aqui mesmo em Teresina há alguns dias atrás, quando na maternidade da região ocorreu o parto de gêmeos que estavam unidos na região do abdômen e a mãe não tinha consciência do fato até então, porque é uma moradora da zona rural, e não teve condições de fazer o acompanhamento pré natal. As crianças possuem um coração apenas e não podem ser separadas. É uma situação extremamente tensa que se fosse tomada consciência antes do parto, talvez poderia haver pelo menos um estado psicológico mais estruturado por parte família. Essa situação teria sido identificada com procedimentos simples de um pré natal, mas para quem tem mais condições financeiras e oferta de serviços mais específicos como o rastreio bioquímico, também pode "prever" e se preparar para N situações possíveis que podem ser acarretadas pela geração de uma nova vida, que é um evento tão complexo, mas tão complexo, que está sujeito a erros. Erros que as vezes podem ser minimalistas, ao nível molecular, mas causar grandes consequências. Eu não tinha conhecimento do rastreio bioquímico. Achei muito interessante o tanto de coisas que ele pode apontar, com tão pouco tempo de vida do feto.
ResponderExcluirA assistência do pré-natal bem estruturada pode promover a redução dos partos prematuros e de cesárias desnecessárias, de crianças com baixo peso ao nascer, de complicações de hipertensão arterial na gestação, bem como da transmissão vertical de patologias como o HIV, sífilis e as hepatites.
ResponderExcluirNo entanto, para que essa assistência seja efetiva, é importante que abarque os seguintes aspectos:
Captação precoce – quanto antes a gravidez for diagnosticada e a gestante receber os cuidados da equipe perinatal, mais precocemente poderão ser detectados problemas passíveis de controle ou de cura.
Frequência e periodicidade adequadas – é preciso garantir que a gestante receba o atendimento necessário em seis consultas, no mínimo, durante a gravidez.
Extensão de cobertura – é fundamental que a assistência atinja 100% das gestantes de uma cidade, de um estado e de todo o País. No entanto, dados oficiais do Ministério da Saúde do Brasil, de 2011, indicam que 4,6% de mulheres grávidas estavam sem assistência de pré-natal.
Qualidade – de nada adianta captar precocemente e oferecer o número adequado de consultas se não houver uma prática que garanta tecnologias atuais, apropriadas e precisas que causem impacto positivo da saúde perinatal, fortalecendo a integralidade.
O rastreio bioquímico na gestação é muito importante para os pais acompanhar o processo de desenvolvimento fetal e, assim, prevenir quanto a surpresas no momento o parto. Um teste realizado a partir de uma amostra de sangue da mãe permite avaliar o risco da trissomia 21 do feto e outras anomalias cromossômicas, e ainda Defeitos Abertos do Tubo Neural (DTN). Este teste, sendo simples e não invasivo, deve ser proposto a todas as mulheres, qualquer que seja a idade: é o rastreio bioquímico pré-natal. Devemos ter em consideração que são as mulheres mais jovens que têm mais filhos, pelo que 50% dos bebés que nascem com Tr 21 são de mães jovens. O teste não invasivo em sangue materno tem suas vantagens como citado no post. Logo que, durante a gravidez, parte do DNA fetal encontra-se no sangue materno. Este teste realiza-se a partir de uma amostra de sangue materno, no qual se encontra DNA fetal livre com uma alta especificidade e sensibilidade, a partir das 9 semanas de gestação. Atualmente, utlizam-se dois métodos de análise diferentes, para realizar este teste:
ResponderExcluirMÉTODO DE CONTAGEM
Sequenciação de regiões não polimórficas
- Sequenciação massiva
- Sequenciação dirigida
ANÁLISE SNPS (POLIMORFISMOS)
Sequenciação dirigida de regiões polimórficas e análise de SNP’s com ferramentas bioinformáticas de última geração
http://www.olaboratoriodagravida.com/index.php?option=com_content&view=article&id=21&Itemid=62&showall=1
http://www.labluxor.com/gravidez-vigiada
O risco da Trissomia 21 (S. de Down), tal como da Trissomia 18 e 13, aumenta com a idade materna, sobretudo a partir dos 35 anos, sendo, no entanto frequente encontrar mulheres jovens com filhos portadores de S. Down. A Fetal Medicine Foundation (FMF), aconselha que se realize o cálculo de risco no 1º trimestre a todas as grávidas, independentemente da sua idade. Se considerarmos apenas a idade materna (> 35anos), como critério para despistar aneuploidias, esta permitirá apenas a deteção de cerca de 30% dos casos. No caso de ser considerada a idade materna e o exame ecográfico do 1º trimestre (TN/NT), estes permitem, em conjunto, uma deteção de cerca de 75% dos casos. Ao considerar a idade materna, o exame ecográfico e o exame bioquímico, consegue-se uma deteção de cerca de 95 a 97% dos casos.
ResponderExcluir[http://www.germanodesousa.com/page/doencas/article/perguntas-e-respostas-sobre-rastreio-pre-natal/#q3]