domingo, 15 de junho de 2014

Doença hemolítica do recém-nascido

Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHR): Eritroblastose Fetal: Mulheres Rh- (rr) que se casam com homens Rh+ (RR ou Rr) podem dar origem a crianças Rh+. Como existe a possibilidade do sangue materno ser transferido para o feto, em razão de um defeito na placenta ou hemorragias durante a gestação e parto, há possibilidades de se formar, no organismo materno, o anti-Rh. As crianças de partos subseqüentes, do grupo Rh+, podem apresentar sérios problemas. Os anticorpos produzidos na gestação anterior poderão atingir o sangue do feto e provocar a destruição de suas hemácias.
Problemas apresentados pelas crianças com DHR: Morte intra-uterina; morte logo após parto; anemia grave; crianças surdas ou deficientes mentais; icterícia (coloração amarela anormal devido ao derrame da bílis no corpo e no sangue, devido às bilirrubinas derivadas da destruição da hemoglobina) e insuficiência hepática.

Condições para ocorrência de DHR:
1. Placenta friável: Na maioria das gestações, as hemácias fetais penetram na circulação materna em pequenas quantidades. Contudo, somente 1 entre 100 crianças Rh+, filhas de mães Rh -, têm doença hemolítica significativa.
2. Gestações repetidas mãe Rh- e feto Rh+: Uma razão é que a entrada de células fetais na circulação materna é geralmente pequena no começo da gravidez e é grande apenas durante a expulsão da placenta, no parto e pós parto. Por isso, é somente depois do estímulo imunogênico sofrido no parto de seu primeiro filho Rh+ que a mãe Rh – pode produzir uma resposta a pequenas quantidades de hemácias Rh+ que atravessam a placenta durante gestações subseqüentes. Assim, a primeira criança Rh+ geralmente não é afetada e o risco de doença hemolítica aumenta com as gestações sucessivas.
3. Mãe Rh-: somente reage ao antígeno Rh, produzindo anticorpos anti-Rh, quem não o possui.
4. Feto Rh+: se o feto for Rh- e a mãe Rh+ nada acontece porque uma criança somente passa a produzir anticorpos alguns meses após o seu nascimento.
5. Pai Rh+: RR ou Rr, capaz, portanto, de transmitir o gene dominante. No Brasil uma mulher Rh- corre muito risco, pois a freqüência de indivíduos Rh+ é de 87%.
6. Ausência de aglutininas que destruam as hemácias do feto: temos que considerar ainda o efeito protetor do sistema ABO. A mãe Rh- do grupo O (possui aglutininas anti-A e anti-B), tendo um filho Rh+ do grupo A não será induzida a produzir anti-Rh, pois seu anti-A destruirá as hemácias do doador (feto) antes da indução.

Cuidados após o parto ou durante a gestação: Se os anticorpos estiverem presentes e for detectada anemia no feto, é realizada uma transfusão de sangue para substituir o suprimento de sangue do feto com sangue Rh negativo, que não será danificado pelos anticorpos que seu corpo criou. A transfusão é feita pelo cordão umbilical enquanto o feto ainda estiver no útero, começando nas 18 semanas ou mais de gestação. Este procedimento pode ser um pouco arriscado, portanto alguns cirurgiões preferem induzir um trabalho de parto prematuro. A transfusão de sangue então é administrada após o nascimento do bebê.
A prevenção do desenvolvimento de anticorpos Rh durante os cuidados pré-natais é a melhor forma de proteção para o feto. Na verdade, as transfusões de sangue só são usadas em 1% desses tipos de gestações. Se a mãe for Rh negativa, seu médico irá lhe prescrever uma dose de imunoglobulina anti-Rh (RhoGAM) na 28ª semana de gestação, independentemente do tipo sangüíneo do feto. Essa vacina irá destruir quaisquer glóbulos sangüíneos vermelhos que tenham entrado em sua corrente sangüínea antes de seu corpo ter a chance de criar novos anticorpos. 


Se o bebê nascer Rh positivo, será administrada outra dose dentro de 72 horas após o parto. Isso irá evitar que que seu corpo crie futuros anticorpos que poderia causar danos durante uma subseqüente gestação Rh incompatível. Por segurança, toda mulher Rh negativo deve tomar num prazo máximo de 72 horas após o parto, uma "vacina" de imunogglobulina anti-Rh para prevenir a formação dos anticorpos anti Rh+ no seu sangue. Nem todas as mulheres Rh- com bebês Rh+ tornam-se sensibilizadas mas, como medida de precaução, todas devem tomar a imunoglobina.

O Rh nas transfusões sangüíneas e doações possíveis:
RH- pode doar para RH+ e para RH-, pois não estará sendo injetado o antígeno.
RH+ pode doar para RH+ e Rh-. No último caso, apenas quando o Rh- não conta com anti-Rh, não tendo sido sensibilixado por transfusão anterior Rh+. 


A transfusão de sangue do doador Rh+ para o receptor Rh-, não terá problemas na primeira vez, pois após a doação o receptor terá apenas anticorpos, uma vez que as hemáceas serão substituídas. Em transfusões posteriores os anti-Rh existentes por indução, provocarão uma reação contrária ao fator Rh estranho, com resultados clínicos bastante sérios.


É importante frisar que a Doença emolítica do recém-nascido somente ocorre se a mãe RH negativo, em seu primeiro parto de um filho RH positivo, entrar em contato com o sangue desse de modo a gerar anticorpos que resultem em uma eritoblastose fetal em seu segundo filho de RH positivo. Então, vale a pena no momento da concepção, ou de um resultado positivo em um teste de gravidez, consultar os tipos sanguíneos dos pais para averiguar a possibilidade de tal problema.  

5 comentários:

  1. Durante o pré-natal é avaliado as condições da possibilidade de incompatibilidade materna-fetal. Além dos exames de tipagem sanguínea e rh, é, extremamente, importante a solicitação do coombs indireto. Este exame irá detectar a presença de anticorpos anti-Rh não aglutinantes no soro dos indivíduos Rh negativos. Neste teste o soro é inicialmente incubado com hemácias do tipo “O Rh positivas”, que se ligarão caso os anticorpos anti-D estejam presentes. Utilizam-se hemácias do tipo O para evitar a ligação cruzada de antígenos A ou B cujos anticorpos também podem estar presentes no soro testado (por exemplo, se o indivíduo Rh negativo for do tipo sangüíneo O). Depois deste passo, as hemácias são lavadas para retirar os anticorpos não ligantes e, em seguida incubadas com anti-imunoglobulina. Este passo levará à aglutinação das hemácias indicando a positividade do ensaio. Este mesmo ensaio é feito para determinar a presença do antígeno Du. A sua interpretação é feita da seguinte maneira: Um teste Coombs indireto igual ou superior ao 1:32 indica izoimunização:
    A presença dos anticorpos nas primeiras 12 semanas pode significar que a imunização ocorreu antes da atual gravidez.
    Se os anticorpos aparecem somente na 28ª semana então a imunização aconteceu na gestação atual. Se os anticorpos estejam presentes então a taxa deles vai ser medida cada 2 semanas, e, desde o oitavo mês semanal.
    Fonte: http://www.misodor.com/DHPN.html

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  2. Como foi dito no post, se o sangue do bebê entrar em contato com o sangue da mãe, o que é muito provável ocorrer durante o parto, especialmente em caso de cesariana, o sistema imunológico da mãe pode reagir contra o antígeno D do sangue do bebê, como se ele fosse um "invasor", e produzir anticorpos contra ele. É muito importante evitar que os anticorpos sejam produzidos, o que é possível fazer por meio injeção muscular da imunoglobulina anti-D. Achei interessante expor sua ação: essa espécie de vacina age destruindo rapidamente qualquer célula do bebê que esteja na circulação da mãe, antes que ela comece a produzir anticorpos. Isso significa que ela não terá anticorpos que possam causar a eritroblastose fetal, nem nesta gravidez nem nas posteriores. A vacina anti-D vem sendo usada há muitos anos, e pode ser aplicada sempre que houver alguma possibilidade de sensibilização. a mãe já possui os anticorpos (o que pode ser verificado num exame de sangue), não receberá a vacina, porque ela só tem utilidade para evitar a fabricação de anticorpos, não destrói os que já existam.

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  3. A doença hemolítica do recém-nascido é uma condição grave que acomete não necessariamente o segundo filho portador do grupo sanguíneo RH+ de mãe RH-. O primeiro filho de uma mãe portadora de sangue RH- que foi previamente sensibilizada por uma transfusão de sangue positivo pode já ter desenvolvido anticorpos anti-RH. Nessa situação estão estabelecidas as condições para a criança desenvolver a doença hemolítica do recém nascido.

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  4. Duas complicações que podem atingir o feto vítima de eritroblastose fetal e que não foram citadas no texto, são a paralisia cerebral e o edema generalizado. A DHR é realmente algo muito sério e que pode ser prevenido. Toda mulher (e homens também) deve ter conhecimento de seu tipo sanguíneo e fator Rh (que são tão importantes quanto as digitais de cada sujeito), que pode auxiliar não só na prevenção de DRH para mulheres, como também na tomada de um procedimento adequado no caso de hemorragias graves em que haja a necessidade de reposição de sangue por bancos de doação. Como Fabrícia citou, há o exame de Coombs indireto. Tão logo seja confirmada a gravidez, mulher Rh negativo com parceiro Rh positivo deve realizar o exame de Coombs indireto para detectar a presença de anticorpos anti-Rh no sangue. Após 72 horas do parto do primeiro filho, nos casos de incompatibilidade sanguínea por fator RH, a mulher deve tomar gamaglobulina injetável para que os anticorpos anti-Rh sejam destruídos. E além disso, repito mais uma vez: é mais do que necessário ter consciência de seu tipo sanguíneo. Pode evitar muita "dor de cabeça".

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  5. Se o grau de sensibilização da mãe é pequeno, os problemas se manifestam apenas após a criança nascer. Nesse caso, costuma-se substituir todo o sangue da criança por sangue Rh-. Com isso, os anticorpos presentes no organismo não terão hemácias para aglutinar. Como as hemácias têm em média três meses de vida, as hemácias transferidas vão sendo gradualmente substituídas por outras fabricadas pela própria criança. Quando o processo de substituição total ocorrer, já não haverá mais anticorpos da mãe na circulação do filho. Logo após uma mulher Rh- dar à luz um filho Rh+, injeta-se nela uma quantidade de anticorpos anti-Rh, imunoglobulina, cuja a função é destruir rapidamente as hemácias fetais Rh+ que penetram na circulação da mãe durante o parto, antes que elas sensibilizem a mulher, para que não haja problemas nas seguintes gestações.

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